quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A velha infancia



...é dificil acreditar que estejamos vivos até hoje!
Quando éramos pequenos, viajávamos de carro, sem cintos de segurança, sem ABS e sem air-bag! Os vidros de remédio ou as garrafas de refrigerantes não tinham nenhum tipo de tampinha especial...
Nem data de validade...

E tinham também aquelas bolinhas de gude... As que vinham embaladas sem instrução de uso. A gente bebia água da chuva, da torneira e nem conhecia água engarrafada!
Que horror!

A gente andava de bicicleta sem usar nenhum tipo de proteção...
E passávamos nossas tardes construindo nossas pipas ou nossos carrinhos de rolimã...
A gente se jogava nas ladeiras e esquecia que não tinha freios até que déssemos de cara com a calçada ou com uma árvore...
E depois de muitos acidentes de percurso, aprendíamos a resolver o problema... SOZINHOS!
Nas férias, saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo; nossos pais às vezes não sabiam exatamente onde estávamos, mas sabiam que não estávamos em perigo.

Não existiam os celulares! Incrível! A gente procurava encrenca. Quantos machucados, ossos quebrados e dentes moles dos tombos! Ninguém denunciava ninguém... Eram só "acidentes" de moleques: na verdade
nunca encontrávamos um culpado.

Você lembra destes incidentes: janelas quebradas, jardins destruídos, as bolas que caíam no terreno do vizinho???
Existiam as brigas e, às vezes, muitos pontos roxos...
E mesmo que nos machucássemos e, tantas vezes chorássemos, passava rápido; na maioria das vezes, nem mesmo nossos pais vinham a descobrir...
A gente comia muito doce, pão com muita manteiga... Mas ninguém era
obeso... No máximo, um gordinho saudável... Nem se falava em colesterol...
A gente dividia uma garrafa de suco, refrigerante ou até uma cerveja escondida, em três ou quatro moleques, e ninguém morreu por causa de vermes!
Não existia o Playstation, nem o Nintendo...
Não tinha TV a cabo, nem videocassete, nem computador, nem Internet...
Tínhamos,simplesmente, amigos! A gente andava de bicicleta ou a pé. Íamos à casa dos amigos, tocávamos a campainha, entrávamos e conversávamos.

Sozinhos, num mundo frio e cruel... sem nenhum controle! Como sobrevivemos?
Inventávamos jogos com pedras, feijões ou cartas...
Brincávamos com pequenos monstros: lesmas, caramujos e outros animaizinhos, mesmo se nossos pais nos dissessem para não fazer isso!
Os nossos estômagos nunca se encheram de bichos estranhos! No máximo, tomamos algum tipo de xarope contra vermes e outros monstros destruidores... aquele cara com um peixe nas costas... (um tal de óleo de rícino).
Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros, e tiveram
que refazer a segunda série.. Que horror! Não se mudava as notas e ninguém passava de ano, mesmo não passando.

As professoras eram insuportáveis! Não davam moleza... Os maiores problemas na escola eram: chegar trasado, mastigar chicletes na classe ou mandar bilhetinhos falando mal da professora, correr demais no recreio ou matar aula só pra ficar jogando bola no campinho...

As nossas iniciativas eram "nossas", mas as conseqüências também! Ninguém se escondia atrás do outro...

Os nossos pais eram sempre do lado da Lei quando transgredíamos a regras!
Se nos comportávamos mal, nossos pais nos colocavam de castigo e, incrivelmente, nenhum deles foi preso por isso!

Sabíamos que quando os pais diziam "NãO", era "N Ã O".
A gente ganhava brinquedos no Natal ou no aniversário, não todas as vezes que ia ao supermercado... Nossos pais nos davam presentes por amor, nunca por culpa...
Por incrível que pareça, nossas vidas não se arruinaram porque não ganhamos tudo o que gostaríamos, que queríamos...
Esta geração produziu muitos inventores, artistas, amantes do risco e
ótimos "solucionadores" de problemas... Nos últimos 50 anos, houve uma desmedida explosãode inovações, tendências...

Tínhamos liberdade, sucessos, algumas vezes problemas e desilusões, mas tínhamos muita responsabilidade...
E não é que aprendemos a resolver tudo!? E sozinhos...

Se você é um destes sobreviventes, PARABÉNS!!!



Essa postagem me foi enviada (via scrap) por um aluno/amigo chamado línik e me fez pensar muito!
(pense aí tambem!) rs...

3 comentários:

Marconi disse...

AMUNAKO!!!
Cara que texto massa.
E bom, pelo que sei tive a oportunidade de viver cada um destes momentos relatados.
E vc tem toda razão: eramos crianças, tinhamos amigos, e sabiamos viver e nao morremos por isto.
infelizmente esta nova geração de pais e filhos, claro que com raras excessões, nao sabe o valor do educar e de ser educado, o valor do ensinar e do aprender, Simplesmente se privam do valor do viver e aprender.
Parabens pelo texto!!!
amunako!!!

Leon K. Nunes disse...

Texto muito bom mesmo. Adorei ler e relembrar vários desses momentos. Lembro-me que quando tivemos o primeiro computador lá em casa - um 386, com monitor preto e branco - eu já tinha 14 anos, tinha vivido toda essa infância já e nem imaginaria que aquele trequinho que eu curtia só pra escrever um ou outro trabalhinho e passar a maior parte do tempo brincando naqueles jogos primitivos (a internet só viria uns anos depois; até então, era puro sonho de outro mundo) se tornaria o principal pilar de sustentação da "nova infância", quando se tenta difundir a nociva tese de que sair de casa pra brincar na rua é uma aventura perigosa......

Minhas primas pequenas (de seus 8, 9, 10 anos) sempre me dizem quando me encontram: "minha mãe vai me dar um computador no fim-do-ano". Eu sempre saúdo e digo que elas merecem. Mas espero que, como nos anos passados, as tias esperem pelo menos chegar a adolescência para presenteá-las com essa geringonça ao mesmo tempo maravilhosa e prisioneira....

Saudações!

Charlise disse...

É verdade Renê,

*Era joelho ralado
* Descida de morro no carrinho de rolimã,
* Tomar banho de chuva,
* Pegar tanajura
* COmprar pao embrulhado no papel(cinza)amarrado c barbante

Eita fase boa, pena que essa geraçao nao valoriza essas coisas simples,
Intée
CHá