domingo, 12 de novembro de 2017

O Homem de fé


Seu Antenor era um homem de fé.

Membro de uma igreja Presbiteriana de uma cidadezinha pequena, em torno de 30 mil habitantes, a única igreja evangélica que havia na época. Seu Antenor, viúvo de seus sessenta e poucos anos nunca mais foi o mesmo quando perdeu sua esposa Clemência, num assalto, quando saía da igreja, em torno de quinze anos atrás. Mas...

Seu Antenor era um homem de fé.

Todos os dias Seu Antenor ia a Igreja e jamais precisou abrir a bíblia, sabia todas as passagens de cor, todos os cânticos de cor, todos os sermões de cor.  Homem de fervorosa oração silenciosa, próximo ao púlpito.

Seu Antenor era um homem de fé.

E um dia, o assassino de sua esposa apareceu na igreja para confessar os seus pecados, aceitar a Cristo e se redimir. Esse foi o único dia em que Seu Antenor abriu a bíblia. Lá dentro, havia um 38...

Seu Antenor era um homem de fé.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

o Por vir



     Periodicamente um Rene do futuro me visita! ele é bem mais forte que eu, tem mais tatuagens do que eu, aparentemente está melhor financeiramente do que eu, fala mais baixo e empausadamente (o que aparenta um certo auto-controle e da situação também).  Tem uma harley, fez a própria faca e fuma charutos cubanos, já dormiu algumas vezes na delegacia (mas foi coisa rápida, de sexta a domingo), está em paz com a família, com a ex esposa e com os filhos todos muito bem crescidos e criados.
     Certa noite enquanto eu concertava a minha moto pela enésima vez escorreguei numa poça de óleo e bati a cabeça. A vista ficou um pouco turva mas logo o rene do futuro apareceu e me estendeu a mão para levantar. Ele estava mais sóbrio do que o comum. e assim que eu me sentei num tijolo ele me disse: precisamos conversar.

disse que conhecia a história que eu já tinha percorrido e que nenhuma justificativa alteraria as situações a seguir: ele ia parar de me visitar. tentei indagar pra saber o que estava acontecendo, se foi algo que eu falei de meu pai (ou do dele - que é o mesmo), se foi algo que fiz, mas ele simplesmente disse que iria parar de me ver, porque da forma que estou levando alguns aspectos da vida, é bem provável que ele não exista realmente no futuro. tomou um ultimo gole da cerveja que estava em cima da mesa deu a partida na harley mas antes de montar nela ele voltou e disse: 

você sabe que sempre deu uma ultima chance para muitas pessoas e elas aprenderam com isso, faça o mesmo! torne-se o que eu sou agora e caminharemos sempre.

montou na moto e partiu.

minutos depois eu acordei na garagem, ainda com as costas na poça de óleo, mas a cerveja estava zerada e tinha um charuto cubano de presente.

sábado, 18 de junho de 2016

Acaso

Não há casa quando não se está em casa.
Não há casa quando voltar pra casa poderia ser uma opção, mas não se encontrá casa em casa.
Não há casa quando se quer o mar (amar?) que nunca foi sua casa e de fato nunca será.
Não há casa, quando sua única casa lhe é tirada e em outra casa (que não é sua casa) você vai morar.
Não há casa quando o único que não está em casa é você.
há casar?

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Declaração de missão pessoal

"faça um rascunho de sua declaração de missão pessoal", escreva por 5 minutos, interruptamente. Quando você não conseguir pensar em nada para escrever, mantenha o lápis ou a caneta em movimento até que uma nova ideia se forme. Não se preocupe com a forma. coloque seus pensamentos no papel.

e analisando com pressa dentro de uma sala cheia de profissionais, num treinamento cinza me vem isso.



" Faço de minha vida o Objetivo de me tornar IMORTAL! A priori não faço questão de deixar marcas profundas no quadro de ninguém, embora Já o tenha feito. Mas este é um momento meu. De crescimento, de estrutura, de base. Sobre este alicerce desejo firmar minha imortalidade nos atos e sonhos meus e dos outros. Ir além em distâncias, vivências de temperaturas e necessidades do corpo e da mente (da alma?). Eu quero deixar uma marca no monumento do coração e com certeza eu vou! Faço de minha missão aceitar meu único e próprio estrito código pessoal ao qual denomino de "estrito código do paladino". E sob esle ser um homem com os limites bem definidos de honra, sabedoria e até gloria. Nisso tudo incluo cuidar de minha família de sangue, de quem compactuei meu sangue e dos que encontrei para chamar de família. Para que assim, no final, eu possa me assentar a mesa junto de Ordálio e Carlos.. e jogar um ossinho pro Gregório.


Parte escrita do trenamento: Um líder em mim, proposto por Franklin Covey Education

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Amigo Secreto

Daí vc passa a entender que AMOR é como amigo-secreto: Você dá uma parada foda! separa e escolhida a dedo pra seu amigo(a) secreto(a) e ganha uma merda em troca, que não tem nada a ver com você... daí você some. Depois você passa um tempão reclamando de "amigo secreto", as vezes se tira (e compra um presente foda pra zoar a galera), mas no final das contas aprende que "felicidade só existe se compartilhada". Então você resolve mais algumas vezes entrar na "brincadeira" e se doa em vários valores... "até 10 reais", "até 50 reais", "até 100 reais", só chocolate, só havaiana... ou "sem valor definido" (nesse você sabe que a cilada está implícita) e o presente da troca que vem em sua direção é sempre o mesmo... em valores diferentes. Ate´que um dia te sobra uma grana e você curtiu estar com a galera (seja da empresa, escola, família) e então preenche a folha com o seu nome e com um presente que gostaria de ganhar... sem intenção nenhuma saca?! só de estar lá... E é aí mesmo! onde você menos aposta suas fichas ou mesmo concentra sua força de vontade que é surpreendido.  E dá um bom ânimo a continuar nessa "brincadeira" mesmo sabendo que o  presente pode vir uma merda a maioria das vezes, mas em raras exceções... quando estás tranquilo de que deu o seu melhor, virá algo surpreendedor.

Acredite no amor!
Eu acredito no amor!



sábado, 22 de agosto de 2015

O fio de prata

Manhã do dia 12 de Agosto de 2015

Faleceu nesta manhã meu Pai

Sedento na angústia da Depressão 
encontrou meu pai com o único mal irremediável
entregou-se à dança do esquecimento
e no gira-gira da história da vida diante dos olhos
deixou-se levar.

Sentado à porta de casa todos os dias como pitava
aguardava trago após trago que
as bodas com a morte se consumasse.

Vai-se o corpo, finda a Depressão, resta a redenção.

O descanso no frio jazigo campineiro

Num jardem das Áleas 


-Transcrito do meu diário pessoal.
Carlos "Karpen" Wilson Leite Penteado
24/12/1948 - 12/08/2015